Automático ou quartzo: o que cada um lhe pede
Um precisa de ser usado. O outro precisa de uma troca de pilha bem feita. Os cuidados que realmente diferem entre os dois, sem snobismo.
A discussão entre automático e quartzo costuma ser sobre romantismo. Este artigo não é sobre isso. Ambos são boas máquinas; simplesmente pedem coisas diferentes a quem os tem.
O que um automático pede
Movimento. Um rotor dentro da caixa gira com os movimentos do pulso e arma a mola real. Usado todos os dias, o relógio nunca para. Deixado numa gaveta, um automático típico anda 38 a 72 horas e depois deixa de andar.
Parar não lhe faz mal nenhum. Voltar a pô-lo a trabalhar é coisa de cinco segundos: algumas voltas na coroa e acerta-se a hora. O que as pessoas fazem mal é como acertam.
- Nunca acerte a data entre as 21h00 e as 3h00, aproximadamente. Nessa janela, o mecanismo de data já está engatado na mudança noturna, e forçá-lo pode partir um dente da roda de datas. É a reparação mais comum causada pelo próprio dono de um relógio mecânico. Se tiver dúvidas, leve primeiro os ponteiros para as 6 horas, acerte a data e só depois avance a hora até à correta.
- Dê corda com suavidade e pare quando sentir resistência. Num movimento de corda manual, nota-se a mola real chegar ao fim. Num automático, em geral não é possível dar corda a mais — existe uma embraiagem deslizante —, mas não há razão para passar das trinta voltas.
- Volte a enroscar a coroa se ela for de enroscar. É por uma coroa desenroscada que um relógio resistente à água deixa de o ser.
Revisão. De cinco em cinco a sete anos, ou quando começar a atrasar mais de cerca de quinze segundos por dia. Uma revisão não é manutenção opcional disfarçada de venda adicional — os óleos degradam-se mesmo, e fazer trabalhar um movimento seco desgasta os pivôs.
O que um relógio de quartzo pede
Quase nada — e depois uma coisa que conta mesmo.
Mude a pilha antes de ela acabar, não depois. Uma pilha esgotada deixada dentro do relógio pode verter, e o resíduo corrói o movimento. Alguns relógios de quartzo avisam que a pilha está no fim fazendo o ponteiro dos segundos saltar de quatro em quatro segundos em vez de um — é esse o aviso, e tem algumas semanas.
Peça a troca a quem substitua também a junta. Abrir o fundo da caixa quebra a vedação. É uma troca de pilha de dois euros sem junta nova que faz um relógio que aguentou dez anos de chuva embaciar de repente num duche.
De resto: um relógio de quartzo não quer saber se é usado. Não precisa de enrolador — não há nada para armar. Anda melhor do que quase qualquer relógio mecânico, normalmente dentro de quinze segundos por mês.
De que ambos precisam
- Distância dos ímanes. Isto afeta muito os automáticos — uma espiral magnetizada pode fazer um relógio adiantar minutos por dia — e quase nada os de quartzo. Capas de telemóvel, tampas de portátil, grelhas de coluna, fechos magnéticos. Desmagnetizar é barato e rápido, por isso, se um automático começar de repente a adiantar de forma absurda, suspeite do magnetismo antes de suspeitar de uma avaria.
- Distância do calor e do sol. O calor torna os óleos de um automático mais fluidos e encurta a vida da pilha num de quartzo. A luz solar desbota os mostradores de ambos.
- Um sítio fixo para descansar. Num automático, passar a noite com a coroa para cima corrige muitas vezes um relógio que adianta ligeiramente — a gravidade atua sobre o balanço de maneira diferente em cada posição. Num de quartzo não muda nada, mas a caixa e a bracelete ganham na mesma.
Se tem dos dois
A maioria das pessoas acaba com uma mistura, e é aí que alternar entre relógios passa a ser um hábito em vez de uma chatice. A resposta prática é mantê-los à vista: relógios que não se veem são relógios que não se usam, e um automático que nunca sai da gaveta é um automático que está sempre errado.
Quatro relógios cabem num Display Rack Four; seis no Summit. Dois vivem à vontade num Duo.
Numa linha
Use o automático ou aceite ter de o acertar, nunca mexa na data à meia-noite e troque a pilha do quartzo cedo, com junta nova. Tudo o resto é gosto pessoal.